“Óleo de coco é veneno”? Mês passado circulou uma reportagem com essa chamada. Por isso ao longo dessa semana falarei sobre alguns aspectos do óleo de coco. Hoje vou falar apenas sobre o seu impacto no colesterol.

Estudos (1 e 2) que compararam o consumo de manteiga x óleo de coco x óleo de cártamo (essas gorduras representavam aproximadamente 50% do total de gordura consumida pelos participantes ao longo de 6 semanas), mostraram que o óleo de coco e a manteiga AUMENTARAM o LDL  (“colesterol ruim”) dos participantes em comparação ao óleo de cártamo, mas TAMBÉM ELEVARAM mais o HDL (“colesterol bom”) que este último.

Outro estudo (3) que comparou o consumo de óleo de coco x azeite de oliva ao longo de 5 semanas mostrou que o grupo que consumiu o óleo de coco exibiu um maior colesterol total e LDL em relação ao outro. Entretanto, o HDL também aumentou significativamente mais no primeiro grupo 👍 Por isso, apesar do consumo do óleo de coco estar ligado a um perfil APARENTEMENTE mais aterogênico (com aumento de Colesterol Total e LDL), o fato de não haver diferença na relação CT/HDL, que é um bom preditor de risco cardiovascular, é um bom sinal 🙏😃❤

Outros estudos (4 e 5) também corroboram os resultados citados acima.

Porém, os estudos em geral ainda são poucos (refiro-me a ensaios clínicos feitos em humanos, e não estudos com ratos/estudos observacionais), contêm muitos vieses e não apresentam relação com desfechos de doença, e sim com alterações no perfil lipídico (algo que precisa ser avaliado com ressalvas).
MENSAGEM PARA VOCÊ LEVAR PARA CASA: De acordo com o que temos de evidência até HOJE, o mais PRUDENTE, SE VOCÊ TEM COLESTEROL ELEVADO, seria evitar a adição de gordura saturada, como óleo de coco e manteiga, às suas preparações diárias. Prefira utilizar as gorduras insaturadas de boa qualidade, como o azeite de oliva, nas suas receitas (o azeite pode ser aquecido – já escrevi sobre isso aqui). Mas, independente de ter ou não o colesterol elevado, use as gorduras “isoladas” (azeite, óleo de coco, manteiga, creme de leite, banha, etc) com parcimônia em sua rotina – apenas o mínimo suficiente para preparar suas refeições.
Referências
1. Cox C, Mann J, Sutherland W, et al. Effects of coconut oil, butter, and safflower oil on lipids and lipoproteins in persons with moderately elevated cholesterol levels. J Lipid Res. 1995;36:1787–1795.
2. Cox C, Sutherland W, Mann J, et al. Effects of dietary coconut oil, butter and safflower oil on plasma lipids, lipoproteins and lathosterol levels. Eur J Clin Nutr. 1998;52:650–654.
3. Voon PT, Ng TK, Lee VK, et al. Diets high in palmitic acid (16:0), lauric and myristic acids (12:0 þ 14:0), or oleic acid (18:1) do not alter postprandial or fasting plasma homocysteine and inflammatory markers in healthy Malaysian adults. Am J Clin Nutr. 2011;94:1451–1457.
4. Mendis S, Samarajeewa U, Thattil RO. Coconut fat and serum lipoproteins: effects of partial replacement with unsaturated fats. Br J Nutr. 2001;85:583–589.
5. Reiser R, Probstfield JL, Silvers A, et al. Plasma lipid and lipoprotein response of humans to beef fat, coconut oil and safflower oil. Am J Clin Nutr. 1985;42: 190–197.
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