Há alguns meses eu participei do podcast do Senhor Tanquinho. Para quem perdeu, confira aqui um excerto em que eu falo sobre o Efeito Platô e o link para o podcast completo (ao final do texto).

Roney: Nós queremos saber: qual é a maior dúvida que você recebe, seja dos seus pacientes em consultório ou mesmo nas suas mídias sociais? Qual é a maior dúvida das pessoas, em relação à Nutrição, que você percebe?

Paula Mello: Olha, são várias dúvidas.

No entanto, eu diria que nesse mundo da Low-Carb acaba tendo uma dúvida muito grande.

Às vezes, quando as pessoas sentem que não estão mais emagrecendo (como no caso de um platô de peso), quando elas “empacam” o emagrecimento, elas sempre me perguntam muito o que fazer nessa fase.

Eu acabo conversando muito com elas, tanto em consultório, quanto nas mídias sociais, para descobrir os motivos pelos quais isso pode estar acontecendo – e mesmo onde elas podem estar se sabotando.

Roney: E qual é a sua visão sobre essa questão, qual seria a resposta, o caminho a se seguir?

Paula Mello: Aí tem vários pontos geralmente.

Na verdade, a gente tem que ver se essa pessoa realmente parou de perder peso – e estamos falando, obviamente, de emagrecimento.

A palavra emagrecer significa perder gordura – e não simplesmente perder peso na balança.

Então nós temos que pensar em alguns casos.

Por exemplo, dependendo do tipo de treino dela, e do tipo de alimentação, se ela está conseguindo até ganhar um pouco de massa magra e está ainda perdendo gordura corporal.

Porque, apenas observando a balança, a pessoa não consegue saber se está ocorrendo essa recomposição corporal (“trocando” gordura por massa muscular).

Então por isso que uma avaliação física mais precisa é bem importante para a pessoa realmente ver se ela ainda está perdendo gordura ou não.

Porque a chance de ela ganhar massa magra sempre existe (apesar de pequena, se a gente está aplicando um planejamento alimentar mais voltado para o emagrecimento – porque ele não favorece muito o ganho de massa magra).

E uma pergunta que eu sempre faço na minha anamnese é: “Qual é o seu comportamento durante o final de semana?”

Porque é muito importante isso.

Eu pergunto o que ela faz na rotina e em seguida eu pergunto: “E no seu final de semana, o que muda?” – porque às vezes muda muito.

Às vezes o comportamento da pessoa muda do vinho para a água no final de semana, sabe? E isso é um problema muito grande.

Eu tenho um amigo em Salvador, um Nutricionista, que contabilizou: sextas, sábados e domingos, mais 30 dias de férias e feriados do ano… isso dá mais do que a metade do ano!

Então a pessoa tem que entender que não dá para ela mudar bruscamente o comportamento dela nos finais de semana, nos feriados, etc, e achar que ela está se alimentando bem a maior parte do tempo – porque ela não está!

Então é por isso também que é tão importante a pessoa ter uma alimentação que ela realmente goste, que ela tenha prazer durante a semana: para que não seja nem um pouco difícil ela replicar isso no final de semana dela.

E é óbvio que pequenas exceções sempre vão existir.

Mas é importante que a exceção realmente seja uma exceção, e não que vire a regra… que é o que acaba acontecendo quando a pessoa muda completamente o comportamento durante todo final de semana, durante as férias, etc.

E um ponto bem importante também, principalmente na estratégia Low-Carb, é ver se a pessoa não está tendo um consumo exagerado na quantidade de gordura.

Porque eu acho que principalmente as pessoas que iniciam a leitura dessa questão na estratégia Low-Carb se confundem um pouco, e acabam adicionando muita gordura ou até fazendo muitas receitinhas com sobremesa à base de adoçante.

E eu sempre bato muito na tecla que o que mais funciona para o emagrecimento é ter aquela alimentação “comida de verdade raiz”, digamos assim, sem muito frufru.

Porque quando a gente começa a fazer muita receita, principalmente receita envolvendo adoçante…

A gente tem que entender que é o sabor doce que atrai o nosso paladar, que faz a gente perder a linha e acabar comendo muito mais do que a gente precisa.

Não necessariamente é o açúcar que faz isso.

Então ficar fazendo refeições, ficar fazendo receitas, seja com muito adoçante, ou com muito queijo, com castanhas, enfim, com coisas que atraem muito o nosso paladar… isso acaba virando uma maneira fácil de se sabotar e acabar comendo muito mais do que precisa.

Porque no fim das contas é aquilo que a gente fala: é o comer quando tem fome.

Para emagrecer talvez essa seja a principal orientação.

Se você consegue ao máximo separar o que é fome, do que é ócio, ansiedade, tédio, “vou ver um filme e estou afim de comer”… quanto mais você distanciar isso, mais você tende a ter sucesso.

Eu acho que seria principalmente isso – e claro, ser uma pessoa zen.

Isso para mim é regra para a vida.

Eu, que sou de Salvador, me considero uma pessoa realmente bem tranquila, e tenho um ritmo de vida bem tranquilo – e eu aconselho isso a todos os meus pacientes e a todos os meus amigos.

Porque, se você ficar estressado, com tudo o que está acontecendo na sua cabeça e se passando na sua mente, o seu corpo vai sentir o efeito disso através de uma piora, de uma alteração hormonal, através de uma liberação crônica e elevada de cortisol.

E a gente sabe que, se a pessoa é cronicamente estressada (e já têm estudos que comprovam isso), é muito mais fácil que o seu cérebro peça comidas que são hiper palatáveis – porque na verdade o que ele quer é um prazer momentâneo, justamente para dar uma sossegada nesse estresse, sabe?

Então, quanto mais estressado você é, sem dúvida nenhuma, mais você tende a ter uma alimentação que não é ideal. Então é isso. Acho que todas essas dicas podem ajudar bastante as pessoas nesse quesito.

Para ler ou ouvir a entrevista completa, visite: Podcast #020 – Nutri Paula Mello E Comida De Verdade.

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